Um crime nos faz esquecer outro crime. Quem mata sabe disso. Sabe que dificilmente haverá justiça. Estão acostumados com a impunidade, com a injustiça e com a indiferença. A morte se tornou algo tão comum, que não espanta mais ninguém. A Polícia Civil tem a missão de investigar os crimes e a cada assassinato se torna mais um. Não importa o motivo. Não importa quem morreu. Só sentimos quando é alguém próximo: um amigo, um irmão ou alguém da família. Fora isso ninguém importa, ninguém derrama lágrimas. No máximo lamentamos.
Mas em alguns casos a morte mata milhares de corações. Quando um jornalista é assassinado a própria sociedade é ferida. Até os frios e insensíveis se revoltam. O jornalista é a voz que representa o povo, o alto falante dos excluídos.
Quando um advogado é assassinato a sociedade também morre, pois matam o legítimo defensor da lei. Nessas horas até a polícia se levanta, denuncia, pois nem todos se conformam com o sistema. Esse é o problema, isto é, o sistema. O sistema dos sem coração, dos assassinos, dos corruptos, dos que se consideram Deus. O sistema das mentes doentes.
Quem mata e quem manda matar não toma cuidados. Não sabe mensurar a repercussão dos fatos. Não imagina os desdobramentos. Valério Luiz se tornou um problema maior morto do que vivo. Calaram sua voz, mas milhares de vozes foram despertadas a falar, a clamar por justiça. Vozes na televisão, no rádio, nas ruas, nos estádios e nas redes sociais. Quando todos estão juntos o medo é lançado fora. Sempre vão existir mais pessoas de bem do que exterminadores, executores, bandidos de farda e psicopatas. Nesta hora a polícia séria também se levanta. Mostra quem é quem. Separa o joio do trigo, o justo do imundo, o corrupto do honesto.
É claro que queremos justiça. Mas imagino que o inferno de quem tira uma vida é imenso. O inferno de ser descoberto, de encarar os filhos, de olhar nos olhos de um amigo, o inferno da insônia, da falta de paz. O inferno da própria consciência maculada. Tem gente que acredita que essa gente não tem consciência. Não é verdade. No fundo todos tem noção, sentem culpa, remorso, mas esse tipo de psicopata não se arrepende, prefere morrer escravo do inferno das lembranças de que ele nada mais é que um monstro, que um dia pensou que poderia ser uma pessoa. Quem mata é quem morre! A justiça deve ser feita aqui na terra, ainda que tenhamos certeza que todos nós vamos comparecer no Tribunal de Cristo. Tribunal, ao contrário do dos homens, incorruptível. Lá as autoridades não estão sujeitas a suborno, a influência, a pressão política ou ao medo. Mas ainda estamos aqui e sempre vamos cobrar por justiça.
O inferno de quem tira uma vida é algo que não pode ser mensurado
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Por: Claudiane Rodrigues | http://www.meninasdoesporte.com.br
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